Desnutrição Espiritual

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desnutricaoEditorial da Semana: Pr. Vlademir Hernandes

Quem quer gozar de boa saúde não pode negligenciar os aspectos elementares da boa alimentação. Desde a infância, nosso organismo necessita da alimentação adequada para que a nossa qualidade de vida seja mantida. Recém-nascidos não necessitam de nada além do leite materno.  Eles são extremamente vorazes pelo seu aleitamento e não têm capacidade para consumir alimentos sólidos. Na medida em que crescem, outros alimentos são gradativamente introduzidos, e quanto mais desenvolvida a dentição maior é a autonomia da criança para se alimentar sem supervisão.

A Bíblia usa a nutrição infantil como analogia para nos instruir a respeito da nutrição espiritual que é tão vital para nosso crescimento. A Palavra do Senhor é equiparada em essencialidade ao leite para o recém-nascido. Precisamos deseja-La com a mesma voracidade porque Ela é igualmente fundamental para nosso crescimento (1Pe 1:24-2:3). Sem o “desejo ardente” pelo leite espiritual, não nos alimentaremos adequadamente e experimentaremos debilidades devastadoras em nossa saúde espiritual de modo a comprometer seriamente o nosso crescimento.

Creio que é importante salientar que o “desejar ardentemente” do texto de 1ª  Pedro está expresso na forma de imperativo. Deus nos ordena que desejemos de todo o coração. Ao contrário de muitos desejos involuntários que aparecem e desaparecem em nós, o desejo ardente pelo “leite espiritual“ pode ser provocado e mantido por nós. Se não fosse assim, o Senhor não daria a ordem. Creio que nossa disposição, nossa disciplina, nosso zelo pelo estudo e pela meditação como um hábito  prazeroso são alguns dos fatores que desenvolvem nosso “desejo ardente” pela nutrição espiritual de que tanto precisamos.

A Bíblia também utiliza a nutrição infantil para fazer outra analogia sobre as consequências da desnutrição espiritual. Os crentes carnais de Corinto são equiparados a bebês que não conseguem digerir alimentos sólidos (1Co 3:1-2). Sua carnalidade é a evidência da sua desnutrição e falta de crescimento. São infantis na fé, sem o desenvolvimento esperado e a consequente capacidade para assimilar verdades menos elementares. A mesma analogia é empregada pelo autor de Hebreus à sua audiência (Hb 5:11-14). Pelo tempo de conversão já deveriam ser mestres, mas eram ainda carentes de conhecimento sobre os assuntos mais elementares da fé – precisavam continuar recebendo leite - não conseguiam digerir os alimentos sólidos da sã doutrina.

Este é o paradoxo do crescimento espiritual: se formos como crianças recém-nascidas na avidez pelo leite espiritual não seremos como crianças desnutridas na fé e com comportamento carnal. Que o Senhor ajude a cada um de nós no cuidado com a nossa nutrição.

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